O que eu aprendi escrevendo 50 artigos
Lissa reflete sobre sua jornada de produção de conteúdo desde 2019 , os erros, as evoluções e os motivos que a fazem continuar escrevendo artigos sobre tecnologia.
Como isso começou?
Comecei a escrever no final de 2019, influenciada principalmente pelos Youtubers que eu assistia. Criei uma conta no VivaAoLinux, comecei a ajudar pessoas no fórum com dúvidas técnicas, e escrevi meus primeiros posts , sendo o "Como posso começar a programar?" o primeiro deles.
Sinceramente, tenho vergonha desse artigo. A linguagem não inclusiva do tipo "os programadores", a didática horrível, a introdução parecendo redação de ENEM, dados sem função no texto e códigos largados no meio , péssimo pra mostrar pra alguém que está se interessando em programar.
Mas tá tudo bem. Esse foi meu primeiro texto. É ÓTIMO que eu olhe pra ele hoje com desprezo, porque eu evoluí. Sou muito mais capaz, mais atenciosa, mais inclusiva, complexa mas ainda buscando a simplicidade, completa mas sempre mostrando só uma parte por vez. Eu me tornei melhor , e esse processo não termina nunca.
2019
Como eu disse, comecei a escrever no VivaAoLinux, mas depois de pouco tempo desanimei, então no final escrevi duas dicas, e um artigo.
2020
Nesse ano eu investi na produção de conteúdo mais na forma de Live Coding, que foi algo que eu conheci nesse período, por isso não escrevi artigos. Mas caso você queira saber mais sobre esse ano pra mim, eu falo um pouco mais sobre no artigo Meu caminho até aqui.
2021
Comecei o ano escrevendo meu primeiro artigo no Dev.to, sendo o "Criando jogos com javascript e P5.play", um artigo que hoje em dia é desatualizado e todo o código dele não funciona mais, mas foi muito importante pra mim.
Depois de um tempo, escrevi meu artigo mais visualizado até hoje, que é o Instalando e Utilizando ZSH, nisso eu aprendi que é impossível de prever se um artigo seu vai bombar ou não. É algo que só acontece e tá tudo bem ser assim.
No meio do ano co-fundei a Kotlinautas, uma comunidade que busca produzir e divulgar conteúdo sobre a linguagem Kotlin na língua portuguesa. Eu contribuí com a comunidade principalmente escrevendo artigos, inclusive tem um período onde eu publicava um artigo, ou até dois por semana rs.
Ao longo do tempo fui cansando, e aprendendo que devemos tomar cuidado com burnout, mas também com fazermos algo demais, e esse algo perder a graça, então eu passei um tempo sem escrever.
2022
No começo desse ano fiz a transição pública de gênero (conto mais sobre isso no artigo TRANSquimia: do carvão pro diamante) e entrei na Feministech. E lá dentro aprendi que eu podia ser inspiração pra outras pessoas , quando vi outras minas me dando suporte emocional e sendo referências pra mim.
Comecei a entender que podia fazer o mesmo por outras pessoas que, como eu, às vezes duvidam se realmente têm lugar na tech. Que a resposta é sim , sempre foi sim. E que ter alguém que já esteve ali antes, mostrando que dá, muda tudo.
Então comecei a escrever mais, a palestrar, a participar de webinars, a produzir eventos. Me dando liberdade pra mostrar pra outras pessoas que elas também podem fazer tudo isso , que elas podem produzir, se divertir, que elas têm o direito de serem incríveis sendo exatamente quem elas são.
E esse é o principal motivo que eu produzo artigos e conteúdo no geral: mostrar que você pertence aqui.
O que eu aprendi com tudo isso?
Eu aprendi muito sobre redação, então agora consigo escrever diversos tipos de texto, com objetivos e dinâmicas diferentes, desde um artigo corrido tentando contar uma narrativa como esse, algo mais poético como TRANSquimia: do carvão pro diamante, artigos de passo a passo como o Passo a passo para começar a escrever artigos, entrevistas como Quem é Bug_elseif?, grandes tutoriais como Criando uma API com Ktor, até artigos que mais parecem uma conversa como O quê são comunidades de tecnologia?.
Aprendi muito também sobre didática, e como guiar um conteúdo, introduzindo o tema e finalizando.
E por último, aprendi muito sobre pessoas. Como lidar com pessoas, como responder elas, como engajar elas a participar das duas coisas, eventualmente também participando da sua vida.
Vale a pena escrever artigos?
Sim, com certeza. Especialmente se você nunca produziu nenhum conteúdo antes , porque num artigo você pode começar, voltar, reescrever, editar quando quiser. Diferente de vídeos, lives ou palestras, que não têm essa segunda chance.
Finalização
É isso. 50 é pouco, e o céu é só o pedágio de Deus, bora pra frente.