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Glossário tech sem frescura

Palavras que assustam decodificadas em linguagem simples. Aprenda o jargão sem medo.

Tech tem uma linguagem própria: termos em inglês, siglas que parecem saídas de ficção científica, nomes que soam estranhos para coisas simples. Se você tem dificuldade em inglês, pode parecer que todo mundo fala outra língua.

A boa notícia: é só linguagem, não é complexidade real. Por trás de cada palavra tem uma ideia concreta e acessível. Este guia traduz o jargão que mais aparece quando você está começando, em português e sem rodeios.

O que você entrega: código e sistemas

Código: é o texto que você escreve em uma linguagem que o computador entende. Pode estar em Python, JavaScript, Java, qualquer coisa. Código é instrução: "faça isso, depois isso, depois aquilo".

Projeto: um conjunto de pastas, arquivos e código que trabalham juntos para resolver um problema. Uma calculadora online é um projeto. Um app de tarefas é outro.

Sistema: quando um projeto fica maior e tem muitas partes funcionando juntas (banco de dados, servidor, front-end, etc.), a gente chama de sistema.

Onde o código vive

Repositório (ou "repo"): é a pasta do seu projeto armazenada em um servidor (geralmente GitHub ou GitLab). Dentro dela estão todos os arquivos de código, histórico de mudanças e metadados. Pense como a casa do seu código.

Git: é a ferramenta que controla as mudanças. Ela guarda quem mudou o quê, quando e por quê. Se você errou, consegue voltar pra versão anterior. Git é como o "histórico" de um documento do Google, mas muito mais poderoso.

Branch: é uma cópia do código onde você trabalha isolado, sem afetar a versão principal. Imagine o projeto como uma árvore e a versão principal (main) como o tronco. Uma branch é um galho onde você experimenta, mexe, testa, e depois junta de volta quando estiver pronto. Ramos comuns: develop (desenvolvimento) ou feature/login (uma funcionalidade específica).

Merge: é juntar uma branch de volta à branch principal. Você fez mudanças num galho, testou, e agora quer que aquelas mudanças virem parte da árvore principal de verdade.

Commit: é uma "foto" do seu código num momento específico. Toda vez que você faz um commit, está dizendo: "guardei essa versão, com essa descrição do que mudou". Se der errado depois, você volta pra esse commit.

Como o código vira software funcionando

Build: é o processo de transformar o código que você escreveu em algo que o computador consegue rodar de verdade. Alguns idiomas (como Java) fazem isso explicitamente. Outros (como Python e JavaScript) fazem em tempo de execução. De qualquer forma, "fazer um build" é "preparar o código pra rodar".

Deploy: é colocar seu código rodando num servidor de verdade, acessível pra outras pessoas usarem. Se você escreve uma calculadora online e faz um deploy, todo mundo na internet consegue acessar. Deploy é quando o código sai da sua máquina e vai "pra produção" (o ambiente real de uso).

Produção (ou "prod"): é o ambiente de verdade, onde pessoas de verdade usam seu software. Diferente de "desenvolvimento" (sua máquina, pra você testar) ou "staging" (um servidor de teste que imita produção).

Servidor: é um computador (real ou virtual) que fica ligado 24/7 e roda um programa. Quando você acessa um site, está falando com um servidor, que recebe seu pedido, processa e manda de volta a resposta.

Estrutura: front, back, banco de dados

Front-end (ou "frontend"): é a parte que você vê e usa. Botões, telas, cores, textos, a experiência de interagir com o software. Numa página web, front-end é o HTML, CSS e JavaScript que roda no navegador. Num app de celular, é a tela do app.

Back-end (ou "backend"): é a lógica que funciona por trás das cortinas. Recebe pedidos do front-end ("o usuário clicou em salvar"), processa (verifica se está tudo certo, calcula algo, guarda no banco) e manda a resposta ("salvo com sucesso" ou "erro, email inválido"). Back-end roda num servidor, não na máquina do usuário.

API (Application Programming Interface): é um conjunto de endereços (URLs) que o front-end usa pra pedir coisas do back-end. Em vez de o front-end falar diretamente com o banco, ele fala com a API. É como um garçom: você (front-end) pede pro garçom (API) uma bebida, e o garçom vai até a cozinha (back-end) buscar. APIs dão segurança e organização.

Banco de dados: é onde todos os dados da aplicação são armazenados. Usuários, posts, mensagens, tudo que precisa ser guardado fica lá. Um banco é organizado (tem tabelas, colunas), e você acessa com código.

Ferramentas e processos

Framework: é um esqueleto pronto pra você construir em cima. Em vez de começar do zero toda vez, um framework já tem a estrutura básica de um tipo de projeto, com padrões, bibliotecas e convenções. React é um framework de front-end. Django é um de back-end. Usar um economiza tempo porque não precisa reinventar a roda.

Biblioteca (ou "lib"): é um pacote de código reutilizável que você importa no projeto pra usar uma funcionalidade específica. jQuery era uma biblioteca de JavaScript. NumPy é uma de Python. Uma biblioteca é menor e mais focada que um framework.

Dependências: são as bibliotecas e frameworks que o projeto precisa pra funcionar. Se você usa React, React é uma dependência. Se usa uma biblioteca de ícones, aquilo também é. Dependências são listadas num arquivo (como package.json em JavaScript ou requirements.txt em Python) pra que outras pessoas consigam instalar o mesmo que você tem.

Package Manager: é a ferramenta que instala as dependências. npm e yarn são package managers de JavaScript. pip é de Python. Ele baixa os pacotes do repositório central da internet e coloca no seu computador.

Bug: é um erro no código que faz o software não funcionar como deveria. Se um botão não responde quando você clica, é um bug. Debugar (ou "debug") é o processo de encontrar e corrigir bugs.

Test (ou "teste"): é um código que você escreve pra verificar se seu código funciona como deveria. Testes são sua rede de segurança. Se você muda algo e acidentalmente quebra outra coisa, o teste avisa. Testes poupam muito tempo depois.

CI/CD (Continuous Integration / Continuous Deployment): é um pipeline automático que roda testes toda vez que você faz um commit e, se tudo passar, coloca a nova versão automaticamente em produção. Você não precisa fazer deploy na mão.

Conceitos

Variável: é uma caixa com etiqueta onde você guarda um valor pra usar depois. Se você cria idade = 25, tem uma caixa chamada idade que segura o número 25. Quando precisa da idade, só chama a variável pelo nome.

Função: é um bloco de código reutilizável que faz uma coisa específica. calcularMedia(notas) é uma função que pega notas e devolve a média. Você escreve uma vez, usa quantas vezes quiser.

Loop: é quando quer fazer a mesma coisa várias vezes. Em vez de copiar e colar código 100 vezes, você cria um loop que diz "repita isso 100 vezes". Um loop for é o mais comum.

Condicional (ou if): é quando o código toma uma decisão. "Se a idade for maior que 18, deixa entrar. Senão, bloqueia." As condicionais controlam o fluxo do código baseado em situações.

Objeto: é uma forma de organizar dados que fazem sentido juntos. Um objeto de usuário pode ter propriedades como nome, email, idade. Em vez de variáveis soltas, você agrupa tudo num objeto. Fica mais organizado.

Array (ou "lista"): é uma coleção de valores em ordem. Exemplo: [1, 2, 3, 4, 5] é um array de números. ['Ana', 'Bruno', 'Carlos'] é um array de nomes. Arrays deixam guardar múltiplos valores numa variável só.

Mais coisas que você vai escutar

Refatorar: é reescrever código que já funciona, mas de um jeito melhor. Mais limpo, mais rápido, mais fácil de entender. Refatoração não muda o que o código faz, só como ele faz.

Debugging: é o processo de encontrar por que algo não está funcionando. Você coloca prints (mensagens no console), lê mensagens de erro, testa pedaços do código isoladamente até achar o culpado.

Versionamento: é manter múltiplas versões do projeto (v1.0, v1.1, v2.0). Cada versão tem um número, e consegue voltar pra uma versão antiga se precisar.

Escalabilidade: é a capacidade do sistema crescer sem quebrar. Um sistema escalável consegue lidar com 100 usuários, 1 mil, 1 milhão sem cair.

Performance: é a velocidade. Uma página que carrega em 2 segundos tem boa performance. Uma que demora 20 tem performance ruim. Todo desenvolvedor pensa em performance.

Open source: é código disponível gratuitamente pra qualquer um ver, usar e modificar. Grandes projetos como Linux, Python e React são open source. Você pode contribuir enviando melhorias.

Sucesso

Você não precisa memorizar nada agora. Guarda esse glossário nos favoritos e volta toda vez que bate uma dúvida. Conforme trabalha, os termos viram naturais. No começo estranho, depois vira parte da língua.

Próximo passo

Se quer aprender os conceitos por trás desses termos na prática, o guia Fundamentos da Programação é o lugar. Lá você vê como variáveis, funções, loops e condicionais funcionam de verdade, com exemplos que consegue rodar.

Se está começando do zero, volta no guia Decidiu entrar na área e não sabe por onde começar? pra ter um mapa do caminho.

Quando escutar um termo novo que não conhece, volta aqui. A gente vai atualizando conforme a conversa evolui. Você pertence nessa conversa.

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